Não é porque é feito na web que tem que ser feito de qualquer jeito.

14/02/2017

O que aprendi em 10 anos como escritora virtual


Já faz muito tempo que venho pensando sobre qual deveria ser a melhor postagem para começar 2017 aqui no Manias. No fim das contas, optei por renovação e liberei o processo seletivo para novos membros. Ainda assim, não liberei mais nenhuma postagem, então continuei pensando sobre o assunto.
Eu não queria que 2017 começasse com o pé esquerdo para nós, maníacos. Não queria trazer outra postagem reupada ou mais uma resenha. Eu queria trazer algo novo e que realmente ajudasse vocês de alguma forma, como escritores. Então pensei em tutoriais, pensei em dicas, pensei até em curiosidades. E nesse ciclo sem fim sobre pensar em novos projetos bacanas para o site, canal e página, nesta madrugada (3h04min), me dei conta que nunca mudaremos enquanto eu continuar só pensando. E é disso que vim falar para vocês hoje, caros escritores, eu vim falar sobre o quanto pensamos.
Mas o que isso tem haver com meus 10 anos de escrita? Tem que aprendi muito, por isso, eu deveria ter agido muito mais.
Quando comecei no orkut (sim, sou mais velha do que muitos acreditam), a primeira coisa certa que fiz sobre a escrita foi não pensar. Eu sempre fui muito impulsiva e racional ao mesmo tempo. Como isso é possível? Simples. Tomava a decisão e agia ao mesmo tempo que pensava nas consequências. Eu não pensava antes ou depois, eu pensava durante e ponderava as possibilidades.
Mas quando eu tinha 14 anos, eu não tinha experiência suficiente para ponderar as consequências com precisão. Época boa que durou só duas semanas.

1º Lição: Que português horrível! Que plot horrível! Volta para o maternal que é melhor


A primeira lição foi um tapa na cara e quase me fez largar tudo. Você, pessoa maravilhosa e iluminada, que tira seus maravilhosos 2min para dizer como aquele livro é um lixo e não valeu seu tempo e dinheiro, é mais uma linha preenchida no seu caderninho de pecados.
As pessoas não sabem quanto as palavras pesam, ou sabem, por isso, jogam ao vento e sorriem maquiavélicas esperando pelo juízo final.

Eu não abandonei tudo naquele mesmo dia pelo simples fato de que, naquela época, o orkut era super movimentado e meu tópico não flopou. Minhas leitoras insistiram para continuar e ser feliz, pois eu tinha um dom e era por ele que elas estavam ali, não pelos meus erros ortográficos (que, diga-se de passagem, era uma dor nos olhos).
O problema é que, mesmo hoje com dois livros publicados, eu não tenho mais essa impulsividade de ir lá e postar. Hoje eu olho para o texto e se eu não achar que dei o melhor de mim nele, ele não vai ao ar. Quando digo "o melhor de mim", não estou falando sobre gramática, enredo ou revisão, estou falando sobre o meu melhor MESMO. E isso, senhores, é a pior coisa que existe! Muitos escritores engavetam verdadeiras maravilhas devido à maldita insegurança.
O lema para se resenhar um livro aqui no Manias é: Tá ruim? Algum ponto positivo deve ter tido. Fale sobre ele, ressalte ele, aponte ele, coloca em negrito. Nem que seja duas linhas, mas tem que falar. Mas se for só descer o pau, nem se dê ao trabalho de escrever.
"Mas Taty, que hipocrisia! Se estou pagando, tenho o direito de saber se é bom mesmo."
Primeiro que, se você está pagando por ele, alguma coisa te atraiu naquilo ali.
Segundo que nós, blogueiros literários e booktubers, somos construtores de opinião. Vocês não fazem ideia do alcance que nossas resenhas possuem, e nem quantos leitores podemos influenciar, mesmo sem querer. Se dedicamos nosso tempo apenas para diminuir a obra de alguém, as chances de você deixar de ler uma obra que poderia gostar são gigantes.

Se você é essa pessoinha que grita para todos as pessoas que a história é um lixo, desejo, do fundo do meu coração, que ninguém nunca tenha dito isso sobre seu trabalho na sua cara.

2º Lição: Cada texto seu é uma parte da sua alma nua



Em cada texto que você escreve, seja um pequeno parágrafo para o Facebook, há um pedaço de você. Uma forma de pensar que fica alinhada entre as palavras e que só você reconhece.
Mesmo quando escrevemos sobre temas, pessoas ou situações que nunca desejamos que aconteça, ou que sabemos que nunca vai acontecer, sempre haverá um toque pessoal nosso.
Aprendi isso quando percebi que sempre tenho um personagem que gosta das mesmas bandas que eu, ou mesmo gosto para comida, ou opinião... Raramente tudo junto.
Também notei que minha narrativa tem uma forma de se expressar, uma linguagem própria. E é incrível como, só depois que releio, percebo que há algo ali que não costumo revelar para ninguém. É a verdadeira Taty nas entrelinhas.
Isso é tão assustador! Já pensou perceber que aquele psicopata que fodeu com os personagens é, na verdade, uma versão sua? Cruzes!

3º Lição: Divulgar não é a alma do negócio, é o coração

Imagem por pwiwebstudio.com.br
Eu sei que você ouviu por aí que a Alma é a divulgação. Estão errados. Calma que eu vou explicar.
Para produtos e serviços, sim, a divulgação é a alma de tudo. Ela precisa ser boca a boca, contratar aquele setor de marketing e propaganda para fazer um trabalho top. Como exemplo, temos a Vivo, que fez um curta com a música de Legião Urbana e bombou. Ou a Coca-Cola, que sempre inova em seus comerciais focando na família, união, etc.
Mas no mundo literário a divulgação é o coração das vendas, a alma está em como o escritor lida com tudo isso. Quantas vezes ele atualiza seus textos? Qual o nível de arrogância? Qual o nível de interação com o leitor? Quão presente ele é? Quão direto ao ponto ele vai na narrativa ou quão verossímil ele é nos eventos da história?
Não sei se perceberam, mas o que mais vende os livros da Darkside, por exemplo, é a qualidade gráfica. Primeiro babamos naquele trabalho de primor, depois é que vemos do que se trata a história. O cuidado que a editora dá para seus livros se tornou a alma, o fato da aparência se tornar seu próprio marketing é um ponto secundário.
A imagem pode conter: 1 pessoa
Imagem por Darkside em sua Fanpage
O que irá determinar o quão eficaz sua divulgação será, mora em você.
"Mas Taty, quer dizer então que divulgar não é importante?"
E você lá vive sem seu coração?
Divulgar é importante sim, afinal, como vai atingir seus leitores fieis e apaixonados se eles não souberem que seu livro existe? É preciso ser criativo, pois o coração é forte, mas não aguenta de tudo.

4º Lição: Insatisfeitos sempre existirão


Por mais que você se dedique, por mais que sua obra se torne um sucesso de um 1 milhão de acessos, sempre haverá aquela pessoinha que vai dizer que não é tudo isso não.
Pode até estar certa, ela pode ter razão ao dizer que sua obra não é a última pocinha de água do deserto, mas, enquanto a maioria guarda sua opinião para si mesmo, há sempre quem faz questão de esfregar na cara da nação.
Sendo assim, respire fundo, segure as lágrimas e volte depois.
Quando estiver com a paciência restaurada, releia os comentários negativos e tente extrair algo construtivo deles. Descubra a razão da pessoa ter se dado ao trabalho de comentar que "a narrativa está corrida demais" ou "você está detalhando coisas que nem são necessárias". Não se ofenda com as pessoas que argumentam de verdade e aproveite isso para melhorar. Agradeça, seja honesto e reconheça que está sempre em fase de aprendizado. Pense se, de fato, esses pontos expostos realmente estão defasados.
Mas também não deve se ofender com aqueles que dedicam 2min para escrever que sua história é intragável ou um lixo. Dê mais valor aos seus sentimentos, eles não merecem que você gaste seu tempo com esse tipo de comentário. Se quer mesmo pensar e repensar sobre comentários negativos, leve apenas os argumentativos em consideração.

5º Lição: Leitor é um bicho traumatizado

É verídico. Se você perguntar para 10 leitores (que são somente leitores) a razão deles não comentarem nas histórias que leem, ao menos a metade vai dizer que não comentam devido a arrogância dos autores. Doeu, né?
Nos grupos do facebook em que permite a interação entre leitores e escritores, tal como Nyah! Fanfiction Oficial, Nyah! Fanfiction ~Escritores e Leitores~ e o Wattpad Brasil, podemos ver os desabafos dos leitores. A maioria conta que não aponta mais comentários construtivos ou com dicas porque muitos autores não gostam de ouvir nada além de que sua história está boa. Honestamente eu, como leitora, sei exatamente como eles se sentem.
Em minha mais recente publicação, uma das minhas leitoras postou que seu comentário não tinha importância nenhuma, mas estava comentando mesmo assim. Vê como a atitude de outros afetam as pessoas?
Por isso, aprenda a tratar seu leitor como humano dotado de opinião. Você pode até não concordar com as ideias deles, pode até achar que eles estão distorcendo a essência da história e pode até não querer seguir as sugestões que eles estão te dando, mas sempre deixe claro que é importante sim eles disserem o que acharam do capítulo.
Mesmo que você queira se manter no que fez e ache que o leitor extrapolou nos comentários, se achando o dono do livro, tenha calma e não perca as estribeiras. Se achar que não vai conseguir, não se dê ao trabalho em responder aquele em especial, mas lembre-se que a maioria não tem culpa do comportamento de uns e outros.

Essas foram apenas algumas coisas que aprendi como escritora virtual. Se você se identificou com alguma coisa, não deixe de me contar e compartilhar com a galera. Se você está com dúvida ou discordou de alguma coisas, os comentários estão abertos <3
Lembre-se: Isso é o que aprendi, mas não é a verdade absoluta do universo.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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    1. Eu não sei oq rolou com o blogger que removeu seu comentário por engano, então peço um zilhão de desculpas!
      Basicamente, você me disse que concordou e discordou do item 01, né? Mas do restante concorda com tudo.
      Primeiramente, muito obrigada por ter lido e deixado seu parecer. Fico muuuuuuuuito feliz, serião ♥
      Segundamente, já pedi desculpa pelo erro? Não sei como reverter :'(

      O item 01 é sobre as pessoas que humilham, sabe? Não estou dizendo que elas não podem criticar, elas podem sim, mas é como você disse, com educação a gente se encontra *-* O problema todo mora em como me criticaram, pois usaram as mesmas palavras que expressei.
      Acho que ajudar é bom, é ótimo! Mas dedicar o tempo para ofender outros e se divertir às custas disso é cruel... Me marcou de uma forma bem negativa.

      Mais uma vez, obrigada por vir aqui e mais outra vez (kkk), PERDÃO pelo erro cometido no comentário. Se eu souber como corrigi, corrigirei ♥

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